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    Cientistas chineses realizam primeira clonagem de macaco rhesus

    Estudo sobre o nascimento do primata Retro foi publicado em revista científica nesta terça (16)

    Retro é um macaco rhesus que nasceu por processo de clonagem feito por pesquisadores da China
    Retro é um macaco rhesus que nasceu por processo de clonagem feito por pesquisadores da China Reprodução/Nature Communications

    Katie Huntda CNN

    Cientistas chineses conseguiram clonar um macaco rhesus com sucesso. A informação foi divulgada no estudo “Dissecção do mecanismo de reprogramação e aplicação de substituição de trofoblastos na transferência nuclear de células somáticas de macacos”, publicado na revista científica Nature Communications nesta terça-feira (16). O documento detalha a experiência de clonar o macaco e aborda os avanços da tecnologia de clonagem.

    Retro é um macaco rhesus nascido em 16 de julho de 2020. Agora, com mais de três anos, ele está bem e crescendo com saúde, segundo o cientista Falong Lu. O pesquisador é um dos autores do estudo que descreve como Retro nasceu. O macaco é a segunda espécie de primata que os cientistas conseguiram realizar uma clonagem de sucesso.

    A equipe responsável por Retro é a mesma que anunciou em 2018 que criou dois macacos idênticos da raça fascicularis – ambos vivos até hoje – por clonagem. Zhong Zhong e Hua Hua estão com seis anos hoje.

    “Nós conseguimos realizar o primeiro clone de macaco rhesus vivo e saudável, o que é um grande passo que transforma o impossível em possível, mesmo com sua eficiência considerada baixa quando comparada com outros embriões fertilizados”, disse Lu. “Atualmente, nós ainda não conseguimos que outro clone nasça com vida.”

    O primeiro mamífero clonado foi a ovelha Dolly em 1996, utilizando uma técnica chamada de “transferência nuclear de células somáticas” para a criação de clones utilizando óvulos. Nesse processo, os cientistas reconstroem um óvulo que não tenha sido fertilizado ao fundi-lo com núcleos de células somáticos com um óvulo que não tenha núcleo.

    Desde o nascimento de Dolly, os cientistas clonaram diversas espécies de animais mamíferos, como porcos, vacas, cavalos e cachorros. Mas o processo é 50/50, pois é possível errar ou acertar, com uma pequena porcentagem de embriões transferidos que, de fato, resultem em descendentes viáveis.

    “De certo modo, nós tivemos muito progresso nisso. Após Dolly, muitas espécies de mamíferos foram clonadas, mas a verdade é que a ineficiência continua sendo o maior obstáculo nesse processo”, diz Miguel Esteban, o principal investigador do Instituto Guangzhou de Biomedicina e Saúde na Academia Chinesa de Ciências. Ele não estava envolvido no projeto do Retro, mas colaborou com os integrantes da pesquisa em outros estudos sobre primatas.

    O processo de clonar um macaco

    A equipe de cientistas, localizada em Xangai e Beijing, usou uma versão modificada da técnica usada em Dolly em sua clonagem de macacos fascicularis para, então, aprimorar a metodologia para clonar o macaco rhesus.

    Durante as centenas de tentativas de clonagem que falharam, os cientistas descobriram que a membrana externa que forma a placenta não se desenvolveu como deveria. Segundo Miguel Esteban, para resolver esse problema, eles realizaram um processo chamado de “transplante de massa celular interna, que coloca células internas coladas dentro de um embrião não-clonado, o que permite que o clone se desenvolva normalmente.

    A equipe então testou uma nova técnica usando 113 embriões reconstruídos, dos quais 11 foram transferidos para sete “barrigas de aluguel”, resultando no nascimento de um macaco. Esse é Retro.

    “Acreditamos que podem haver anomalias adicionais que precisam ser corrigidas”, explica Lu. “Estratégias para se aprofundar e aumentar a taxa de sucesso do processo de transferência nuclear de células somáticas em primatas continua sendo nosso principal foco no futuro.”

    Os primeiros macacos clonados, Zhong Zhong e Hua Hua, agora possuem mais de seis anos de idade e estão vivendo uma “vida feliz e saudável” com outros primatas da mesma espécie. E a vida dos macacos parece promissora:  segundo o cientista Falong Lu, os pesquisadores não identificaram quaisquer impeditivos que possam limitar a longevidade dos macacos clonados.

    Zhong Zhong e Hua Hua normalmente são descritos como os primeiros macacos clonados. No entanto, um macaco rhesus foi clonado em 1999 utilizando um método de clonagem mais simples. Nesse cenário, os cientistas separam os embriões – o que acontece na gestação de gêmeos, por exemplo.

    Imagens do estudo mostram como foi a clonagem de um macaco rhesus / Reprodução/Nature Communications

    Os desafios da clonagem

    Os cientistas chineses informaram que conseguir clonar macacos pode ajudar a acelerar pesquisas da biomedicina que possuem limitações. A pesquisa em primatas não-humanos, que são os mais próximos dos humanos, tem sido fundamental para avanços médicos que podem salvar idas, como o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. A informação foi apresentada em um estudo durante painel da Academia Nacional de Ciência, Engenharia e Medicina da China, divulgado em maio.

    O uso de macacos em pesquisas científicas é uma questão controversa por causa da preocupação e discussão sobre a ética envolvendo bem-estar animal. A equipe disse que seguiu as leis e diretrizes chinesas sobre uso de primatas não-humanos em estudos. A Sociedade Real para a Prevenção de Crueldade Animal do Reino Unido disse que possui “séries preocupações éticas e de bem-estar em torno do uso de tecnologia de clonagem de animais, já que a clonagem de animais requer procedimentos que podem causar dor e sofrimento  para os animais, além de ter altas taxas de fracasso e mortalidade dos bichos”.

    Ser capaz de produzir macacos geneticamente idênticos pode ser útil, segundo Miguel Esteban. “A pesquisa é a prova do principio que clonagem pode ser feita em diferentes espécies de primatas não-humanos e abre portas para novos jeitos de aumentar eficiência nesses métodos. Macacos clonados podem ser geneticamente modificados em maneiras complexas que macacos selvagens não podem; isso tem muitas implicações para a modelagem de doenças. [Com isso,] também existe a perspectiva de conseguir conservar espécies”, completa.

    O pesquisador Luís Montoliu, pesquisador do Centro Nacional de Biotecnologia da Espanha que não estava envolvido na pesquisa, disse que a clonagem das duas espécies de macaco indicam duas coisas: “Primeiro, é possível clonar primatas. E segundo e não menos importante, é extremamente difícil ter sucesso com esses experimentos, já que eles possuem taxa baixíssima de sucesso.”

    Ainda segundo Montoliu, a baixa taxa de sucesso do método de clonagem mostrou que “não apenas a clonagem humana é desnecessária e discutível, mas, caso tentada, seria extraordinariamente difícil e eticamente injustificável”.

    Lu, um dos autores do projeto, rebateu: “Clonagem reprodutiva de um ser humano é completamente inaceitável.”

    Este conteúdo foi criado originalmente em Internacional.

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